Montes Claros (Norte de Minas Gerais), é conhecido pelo seu Festival do Pequi, berço do antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro e local de registro das memórias do médico sanitarista Francisco de Assis Machado, o Chicão e seu livro "O SUS que vivi". Entre seus 400 mil habitantes, vive a jornalista Viviane Carvalho, aluna do curso de especialização em Comunicação e Saúde da Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG). A jornalista mantém um currículo profissional tão extenso quanto à sua determinação. O primeiro dia de aula costuma ser motivo de empolgação, mas para ela não foi: a quilômetros de distância, seu pai havia sofrido um acidente no qual resultou em seu falecimento. Confira nesta entrevista as razões que a fizeram concluir o curso, que visa o fortalecimento com da comunicação no Sistema Único de Saúde (SUS).

Como foi seu ingresso na ESP-MG?

Meu contato com a Escola aconteceu por meio de uma pesquisa que fiz no intuito de conhecer o SUS, devido ao meu trabalho anterior como Assessora de Comunicação Social do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Macronorte de Montes Claros. Ao me deparar com a possibilidade de fazer o curso, não pensei duas vezes. E cá estou eu.

A jornalista Viviane Carvalho, na Unidade Sede da ESP-MG

O que aconteceu quando você chegou na ESP-MG?

No meu primeiro dia de aula neste curso, ainda no final da manhã, eu recebi a ligação de uma tia. Sem entender, perguntei o que estava acontecendo, e ela me perguntou com quem eu estava. Disse que estava em uma sala com quase 50 pessoas, embora não conhecesse ninguém. Foi quando ela disse para eu voltar para Montes Claros, pois meu pai tinha sofrido um acidente de carro e estava no hospital. O chão abriu sob os meus pés, pois eu sabia que não era só isso. Apenas quando eu cheguei na minha cidade é que fiquei sabendo a real situação do meu pai: ele sofreu um AVC hemorrágico quando estava dirigindo e entrou em coma, tendo falecido em menos de 24 horas.

Você pensou em desistir do curso?

Com certeza. Mas meu pai foi um grande incentivador para que eu fizesse a especialização em Comunicação e Saúde. E, para honrá-lo, continuei. Então, aqui estou eu pelo meu pai e pela oportunidade de desconstruir uma imagem negativa do SUS que eu conhecia.

E você desconstruiu essa visão do SUS?

Sim. Hoje penso que o SUS está intrinsicamente ligado ao nosso dia a dia. Os meios de comunicação não informam isso de maneira clara, talvez por desconhecer de fato como é o trabalho do SUS e qual sua real importância na vida do cidadão. Eu também desconhecia o SUS, achava que seus recursos, como consultas, exames e procedimentos médicos não eram efetivos, mas foi um engano. É uma pena a banalização feito pela mídia, que desconhece o sistema na sua essência e apresenta de forma tão grotesca a uma sociedade que também não busca conhecê-lo.

Como surgiu o interesse pelo tema do TCC?

Hoje atuo na Arquidiocese de Montes Claros, por estar em um ambiente religioso fiquei sem saber como abordar o tema comunicação e saúde para apresentar o projeto. Não precisei ir muito longe, pois uma iniciativa popular produzida e conduzida pelo Padre Bessa Cavalcante foi o marco inicial para essa proposta. A ideia é, junto à minha orientadora, apresentar a proposta de análise do vídeo de uma campanha..

E do que se trata essa campanha?

A campanha contra a dengue do Padre Bessa consiste no sacerdote percorrendo as ruas de Montes Claros em um carro - Belina 1975 - e, com uma caixa de som, anuncia sua passagem e a troca de pequis e saquinhos com pães de queijo por objetos que servem para a proliferação do mosquito da dengue. As pessoas saem de suas residências carregando garrafas de plástico, vasilhas inutilizáveis, latas e vários outros objetos que acumulam água nos quintais.

Participar da especialização em Comunicação e Saúde, da ESP-MG, modificou sua visão de mundo?

Sim. Existe uma Viviane antes e tem outra Viviane depois deste curso. Ampliação de visão, ganho de possibilidades de crescimento intelectual e conhecimento abrangente de um sistema que realmente funciona e que é modelo para outros países são elementos que eu venho aprendendo e que certamente continuarão comigo.

A segunda turma da especialização em Comunicação em Saúde da ESP-MG está em sua reta final. Os alunos estão produzindo seus trabalhos de conclusão de curso que serão apresentados nas bancas no primeiro semestre de 2018.  

Confira aqui nossa entrevista!


Por Jéssica Torres (Estagiária de Jornalismo - ASCOM/ESP-MG)