Na última sexta-feira (25), a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) promoveu roda de conversa com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Belo Horizonte, com o intuito de discutir as demandas de saúde no campo. Como produto final, será elaborada uma cartilha, que abordará diversos temas como agroecologia, saneamento rural e gênero.

O encontro foi marcado por fala de mulheres fortes, educadoras populares, como Terezinha Sabino de Souza, do Assentamento Aziel Alves Pereira, município de Governador Valadares (Vale do Rio Doce), que defendeu acima de tudo, o Sistema Único de Saúde (SUS) como um patrimônio dos trabalhadores. “Temos que defendê-lo. Na cartilha, tem que ter a defesa do SUS. Ainda temos o mínimo de direito de políticas públicas, temos que ressaltar o que de fato é o SUS”, diz.

Veneno na alimentação

Um dos pontos mais importantes da conversa foi o uso indiscriminado de agrotóxicos, as consequências e a importância da agroecologia nesse cenário. Ana Flávia Fonseca, pesquisadora e docente da ESP-MG, explica que quando falamos da natureza, observamos algo distante, mas ela está onde estamos e esquecemos de como nos relacionar com ela. “A primeira coisa que a agroecologia faz é tirar o ser humano do centro. É importante trabalhar a base. Não devemos jogar agrotóxico no solo, quando fazemos isso, jogamos em nós mesmo. O solo é como se fosse uma extensão nossa, ele é vivo e faz parte da gente”, diz.

Ainda na roda de conversa, as participantes discutiram sobre formas de plantar com cuidado, com respeito ao solo, sem agredir o meio ambiente. Os saberes e práticas foram compartilhados ao som do hino Caminhos alternativos, do compositor Zé Pinto: “Se plantar o arroz ali, se plantar o milho a cula, um jeito de produzir, pra gente se alimentar. Primeiro cantar do galo, já se levanta da cama, e o camponês se mistura a terra que tanto ama”.

Parceria

A parceria entre a Escola e o MST vem de longa data, com a realização de ações educacionais para a promoção da saúde da população assentada em Minas Gerais. A previsão é que a cartilha seja lançada em novembro deste ano.

Por Melyssa Fonseca (Estagiária de Jornalismo - ASCOM/ESP-MG)