Alunos do curso de Saúde Pública em 1948

A primeira edição do curso de especialização em Saúde Pública foi realizada em 1947, um ano após a criação da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG). Nessa época o Brasil encarava surtos de esquistossomose e ancilostomose (amarelão).

A partir de 1948, a saúde passou a ser reconhecida como importante função administrativa de governo e a formação em Saúde Pública era voltada apenas para médicos, como diploma indispensável para ingresso na carreira de sanitarista da Secretaria de Saúde e Assistência de Minas Gerais.

Com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1990, a Reforma Sanitária e a própria constituição da Saúde Coletiva enquanto campo interdisciplinar de saberes e práticas, a formação desses profissionais ocorreu por meio da combinação entre formação acadêmica de diferentes modalidades (graduação e pós-graduação) e sua prática profissional.

Nesse período, a última edição do curso foi em 1989, época em que tanto a ESP-MG como a especialização passaram por significantes reformulações, retomando em 2012 como uma capacitação estratégica para a formação de sanitaristas, voltada a trabalhadores já atuantes no SUS, estimulando a análise dos estudos e pesquisas na área da saúde, discutindo práticas e métodos de trabalho nas instituições de saúde no Estado.

Para a Superintendente de Educação da ESP-MG, Ludmila Brito Melo Rocha*, como a visão da Escola é ser referência nacional na integração do ensino, serviço e pesquisa, a especialização em Saúde Pública reúne todos esses elementos para promover a transformação das práticas para fortalecimento do SUS, além das premissas da saúde coletiva. “Não formamos apenas sanitaristas e sim cidadãos e profissionais da saúde pública críticos, politizados e capazes de entender a complexidade do sistema”, afirma.

Ludmila Brito Melo Rocha (Superintendente de Educação da ESP-MG) 

O curso

A especialização conta com 100% de recursos próprios da ESP-MG e o corpo docente também é de servidores da Escola, que baseiam os estudos em análise crítica e contextualizada das situações que afetam o cotidiano profissional. “Fomentamos nos profissionais a capacidade de reflexão sobre o sistema, o jogo de poderes, a importância de replicarem a integração ensino-serviço e teorias e práticas”, diz.

Ainda de acordo com a superintendente, a procura pelo curso é intensa, o processo seletivo é concorrido e a evasão é mínima. “O ganho de ter um profissional especialista em saúde pública é enorme para o estabelecimento de saúde, para o gestor e para o fortalecimento das ações de saúde pública”, reforça.

Olhar estratégico do profissional

Uma das alunas do curso, a farmacêutica Fernanda Maria Lacerda, coordenadora do Núcleo de Atenção Básica à Saúde (NAPRIS), da Superintendência Regional de Saúde de Pouso Alegre, destaca a possibilidade de maior engajamento em defesa do SUS e a vivência em sala de aula que permite ver o quanto o sistema é desconhecido e mal interpretado. “O SUS é um sistema muito jovem, com muitos desafios e que precisa de ajuda para ser conhecido, compreendido e reconhecido”, destaca.

Fernanda Maria Lacerda, farmacêutica e aluna da especialização

Estando à frente da maior regional de saúde do Estado, responsável pelo atendimento de 53 municípios, a farmacêutica enfatiza a satisfação e o desafio de expandir e fortalecer a atenção básica nos municípios e que os novos conhecimentos a auxiliam nesse delicado processo.

“Pretendo utilizar os conhecimentos adquiridos na especialização e compartilhar com os municípios o desenvolvimento da gestão de pessoas, a produção de conhecimento para a atenção à saúde no âmbito do SUS e contribuir para a organização do sistema e a melhoria da qualidade dos serviços para a população”, comemora.

Acreditação Pedagógica

Desde 2014 a especialização está no processo de Acreditação (ferramenta de reconhecimento formal de que as instituições acreditadas atendem a requisitos previamente definidos e demonstra ser competente para realizar determinada atividade) pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

“Um passo importante para a ESP-MG e uma garantia para a formação de profissionais da saúde coletiva no âmbito do SUS, servindo também como autoanálise institucional, qualitativa e de autogestão”, comemora a pedagoga e assessora da diretoria da ESP-MG, Juliana Mesquita. Ela ainda destaca que a intenção é expandir a Acreditação para outros cursos que tenham regularidade de oferta.

Edição atual

A atual edição do curso que tem 460 horas (atividades presenciais e tutoria), teve início em agosto de 2014 com uma turma de 38 alunos de diversas áreas de formação (enfermagem, pedagogia, fonoaudiologia, farmácia, odontologia, biologia, nutrição, serviço social, medicina veterinária, entre outros).

Os alunos atuam na saúde pública de Arcos, Barbacena, Belo Horizonte, Betim, Careaçu, Carvalhópolis, Cristais, Ervália, Itabira, Jequitinhonha, Nazareno, Nova Serrana, Onça de Pitangui, Pouso Alegre, Ribeirão das Neves, Sabará e Santa Luzia.

Na grade curricular constam as disciplinas tradicionais como Epidemiologia, Redes de Atenção, Gestão e Organização do SUS, mas também módulos que debatem Educação Popular em Saúde, Saúde do Trabalhador e Saúde Pública, Relação Público-Privado na Saúde, Questões Contemporâneas em Saúde Pública no Brasil, entre outras.

Os trabalhos de conclusão de curso (TCC) são intervenções no âmbito de atuação profissional dos alunos, revisão de literatura sobre o tema proposta ou um relato de experiência exitosa dentro da prática profissional.

*(Docente graduada em Odontologia, com especialização em Saúde Coletiva e Gestão e Saúde e mestre em Enfermagem, servidora da ESP-MG)

Por Sílvia Amâncio