Acontece hoje (15) no auditório da Universidade Fumec, em Belo Horizonte/MG, o II Encontro Mineiro da Saúde Mental de Crianças e Adolescentes. O evento, que foi inaugurado com a apresentação da Oficina de Flautas do Programa Arte na Saúde, contou com a presença de várias autoridades e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) do campo da Saúde Mental

O encontro visa avaliar a assistência prestada em todo o Estado, consolidar as ações que tem sido desenvolvidas no campo da saúde e ainda trabalhar na construção de políticas públicas de saúde, estabelecendo estratégias de consolidação do SUS como responsável pelos cuidados em saúde mental.

Alzira de Oliveira Jorge, secretária-adjunta de saúde do estado de Minas Gerais, que esteve presente na mesa de debates, representando o secretário de Saúde de Minas Gerais Fausto Pereira dos Santos, ressaltou a importância da presença de usuários e servidores da saúde para criação de novas políticas para saúde mental. “Para construirmos políticas, seria muito incoerente se a gente não trouxesse seja as crianças, os adolescentes, usuários de saúde mental, para nos falar do que eles mais precisam e qual ésofrimento deles” destacou.

Retrocessos na saúde mental no Brasil

No Brasil, com a Constituição de 1988, a Reforma Sanitária (1988), o Estatuto da Criança e do Adolescente(1990), em especial a Reforma Psiquiátrica (2001) e os movimentos de luta contra os manicômios, possibilitaram o surgimento de experiências bem-sucedidase humanizadas em várias regiões do país.

Mas com a recente indicação de um Coordenador Nacional de Saúde Mental no Ministério da Saúde, não afinado com as propostas que vem sendo implementadas nos últimos anos, com histórico de atuação em instituições fechadas e ações na contra-mão da reforma, foi motivo de manifesto pelas cerca de 300 pessoas presentes na atividade.
Em sua fala, Lu Machado, Conselheira de Saúde, deixa clara a intenção de lutar contra o retrocesso da Saúde Mental, falando sobre os desafios enfrentados “Hoje no Brasil, a gente tem dois grandes desafios, um é a superação dos leitos ainda existentes e o outro é recusar todas as formas de terceirização, a gente tem que lidar com o SUS público, porque não adianta ser um órgão público e usar o dinheiro público para financiar instituições privadas”, ressalta.

Participação da ESP-MG

Participando como condutor dos trabalhos e representando a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), apoiadora do evento, Rodrigo Chaves Nogueira, Técnico em Saúde Mental do Município de Brumadinho e Membro da Equipe Técnica da Escola na fala de abertura da Conferência, levanta questões da saúde mental de crianças e adolescentes e aponta contra Coordenador de Saúde Mental. “Este encontro é diferente, não vamos somente construir e pensar as nossas políticas, não vamos somente tentar qualificar a nossa clínica.  Estamos passando por um momento muito delicado no Brasil, no campo político, na saúde mental. A ética tem sido atropelada por um determinado grupo de pessoas que sem apreço nenhum a legalidade, mudam as diretrizes, a proposta do jogo para  fazer valer seus desejos. Retomo nossos lemas: Não passarão. Fora Valencius!”, enfatizou.

Apoio da ESP-MG

A ESP-MG trabalha nesta parceria como formadora de profissionais no campo da saúde mental e em defesa do SUS. Atualmente desenvolve com a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) um curso de capacitação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para cerca de 500 profissionais, sendo que boa parte destes, já participaram dessa qualificação em 2015 e 280 iniciam agora a capacitação, representando 133 municípios do Estado.

Por Danny Eloi - Estagiária de Jornalismo (ASCOM/ESP-MG)