Zhuang Yuan Ming é o denominador comum entre pacientes de um hospital de Shangai, na China, várias fábricas locais e uma ginástica terapêutica constituída de antigas técnicas orientais e princípios modernos da medicina oriental. O ortopedista fez história quando, em 1974, resolveu tratar inúmeros trabalhadores com dores musculares e nas articulações ao fundir movimentos de alongamento e de tração. Assim, surgia o Lian Gong.

Na Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG), duas vezes por semana, os usuários do Centro de Saúde Oswaldo Cruz, vizinho da Unidade Sede, se movimentam com essa atividade que integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Uma parceria que vem se fortalecendo a cada dia e promovendo saúde”, diz Cecília Bahia farmacêutica e instrutória de Lian Gong do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. “Começamos o grupo em junho de 2014 com cinco usuários e hoje temos, em média, 55 a 60 praticantes. Essa prática é uma forma diferente de tratar a saúde uma vez que promove melhorias em todo o indivíduo por diminuir e tratar as dores do corpo e o controle de doenças crônicas”, explica.

Mudança de vida

Composta por uma série de exercícios, a prática diminui dores no corpo, melhora a qualidade do sono e da autoestima, a mobilidade e o equilíbrio, o controle de hipertensão e diabetes e promove a socialização.

Paulo Medeiros (63) destaca que o momento da atividade é muito prazeroso e benéfico à saúde. “O Lian Gong melhorou tudo em minha vida, ansiedade, estresse, etc. Vou ao médico e todos os meus exames estão ótimos”, comemora. Marlene Medeiros, irmã de Paulo, concorda com ele: “Eu escutava muito pouco, depois do Lian Gong estou escutando melhor, tenho mais equilíbrio e vitalidade”, comemora.

A prática no país e no SUS

No Brasil, o Lian Gong foi apresentado pela professora de filosofia e artes corporais chinesas, Maria Lúcia Lee, em 1987. Contudo, somente após a primeira visita de Ming ao país, em 1997, é que a prática ganhou notoriedade.

Há 10 anos a capital mineira conta com o Lian Gong, que, com o objetivo de ampliar o acesso à atividade física aos usuários do SUS), já alcança mais de 10 mil praticantes. “A inclusão dessa prática no SUS surgiu da necessidade de tratar a saúde e não a doença, diminuindo a ocorrência de possíveis males”, explica Cecília.

Segundo ela, diminui também os gastos para a saúde pública já que “reduzem as hospitalizações e, a longo prazo, o uso de medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios e antidepressivos”.

Também praticante do Lian Gong na ESP-MG, Marília Suely (70) passou pelo tratamento de um câncer de mama de forma mais positiva com as aulas. “Os exercícios me ajudaram muito e a convivência com os colegas de grupo foi diferencial nessa etapa difícil da vida”.

Alunos do Lian Gong com a instrutora Cecília Bahia

As aulas de Lian Gong são realizadas na ESP-MG, em parceria com o Centro de Saúde Oswaldo Cruz. Mais informações: (31) 3277-8885.

Por Jéssica Torres (Estagiária de Jornalismo - ASCOM/ESP-MG)