A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), realizou no início desse mês de março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher – 08 de março -, a roda de conversa "Mulheres que Lutam".

Uma das convidadas foi Indira Ivanise Xavier, coordenadora da Casa de Referência da Mulher Tina Martins, integrante do Movimento Nacional Olga Benário e militante dos direitos das mulheres. Nesta entrevista, ela explica os objetivos e atividades desenvolvidas em defesa das mulheres. Confira!

Quais são os objetivos do projeto desenvolvido pela Casa?

A Casa Tina Martins funciona nos eixos de formação política, do empoderamento, da emancipação das mulheres, do ponto de vista da sua condição de dona, de se apropriar de si, do seu destino, das suas próprias decisões, não viver nessa relação de dependência, que infelizmente a sociedade machista e patriarcal impõe.

Como isso funciona na Casa?

Nosso foco principal foco é que as mulheres saiam do ciclo de violência, mas também que elas se empoderem e emancipem até o ponto que elas não retornem para nenhum outro ciclo de violência. Elas só conseguem fazer isso aprendendo a conduzir as suas próprias vidas. Como a Casa é um espaço aberto, nós prezamos para que as mulheres tenham autonomia para conduzir sua vida. Nós sentamos, avaliamos, fazemos um planejamento com elas. Se não damos autonomias para elas, permanecerão sempre nessa relação de dependência, e no momento em que saírem da casa, ficarão reféns de alguém que vai conduzir a vida delas, e não estarão livres, independentes.

Quais atividades o movimento promove para alcançar esses objetivos?

Para atender esse princípio, nós desenvolvemos na Casa uma série de ações que têm esse intuito. Realizamos rodas de conversa, seminários, eventos culturais que envolvam não só as mulheres da Casa, mas sobretudo as mulheres da cidade. São eventos geralmente abertos ao público, pois entendemos que esse diálogo da violência contra às mulheres têm que tocar também os homens.

Cite exemplos dessas atividades.

Algumas mulheres se dispõem a fazer cursos, ensinar as mulheres alguma arte, atividades com fins terapêuticos, como ioga, meditação, crochê, atividades múltiplas, todas de forma reflexivas para as mulheres. Também realizamos feiras de mulheres empreendedoras, como uma forma de abrir a Casa e dar espaço para esse comércio de mulheres.

Quem realiza as diversas atividades?

Os eventos são promovidos pela própria coordenação da Casa, pelo Movimento de Mulheres Olga Benário ou por outros coletivos de Belo Horizonte que conhecem o trabalho da Casa e querem contribuir de alguma forma. Como exemplo, realizamos uma roda de conversa sobre mobilidade urbana. Elas fizeram uma discussão de como esse assunto tem a ver com a pauta da mulher, o direito de andar, de se locomover de bicicleta, a pé e tudo o que isso implica, para a segurança e para o empoderamento da mulher.

E a convivência na Casa?

Promovemos uma outra forma de auto-organização, que é a convivência coletiva, nossa Casa é uma casa coletiva. Fazemos todas as atividades de forma coletiva, nós compartilhamos as coisas, o que tem para uma tem para todas, o que não tem para uma não tem para nenhuma. Assim elas vivenciam esse espaço de gerenciar os conflitos do cotidiano, e vão se apropriando disso. Elas começam a entender essa relação de espaço privado.

Como é o atendimento das mulheres procuram a Casa?

Quando as mulheres não conseguem atendimento nos serviços da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, que participamos, nós fazemos esse processo de abrigamento, sobretudo nos casos que são mais complexos. Como exemplo, as mulheres que não são de Belo Horizonte, que não seriam enquadradas nas políticas locais por não serem da cidade ou mulheres que têm filhos maiores, e que se fossem para algum abrigo convencional público talvez precisariam ser desvinculadas dos filhos.

A violência atinge todas as mulheres?

Com certeza. Infelizmente a violência transpõe barreiras, ela não fica só em um determinado ambiente ou em uma única área. Por isso nossas atividades são mistas, para que haja possibilidade de diálogo entre os homens com a situação da violência.

Saiba mais sobre a Casa Tina Martins: https://www.facebook.com/casatinamartins/

Por Ayrá Sol Soares (Estagiária de Jornalismo - ASCOM/ESP-MG)