Na tarde desta segunda-feira (21), a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) realizou a abertura da exposição fotográfica "18 de Maio: Caminhos possíveis para a liberdade", com registros dos desfiles da Escola de Samba Liberdade Ainda que Tam Tam.

A exposição realizada em parceria com o Fórum Mineiro de Saúde Mental, faz um recorte de 19 anos (1998-2017) dos desfiles em Belo Horizonte/MG, que já é tradição do Movimento Antimanicomial Mineiro.


Adriana Mujica, Rodrigo Chaves (ESP-MG), Mírian Abou-Yd e Edvalth Pereira (ESP-MG) na releitura do Marco Cavallo*

No mesmo dia, foi realizada a aula aberta com o tema "Saúde Mental no SUS - Construindo resistências", ministrada pela psiquiatra Míriam Abou-Yd, militante do Fórum que já foi coordenadora da saúde mental da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH). Em sua fala, ela destacou os retrocessos da Rede de Atenção Psicossocial com a Portaria nº 3.588/2017.

Dando as boas-vindas, o diretor-geral da ESP-MG, Edvalth Pereira, agradeceu a presença de todos e destacou a tradição da instituição nas ações de qualificação dos trabalhadores que atuam na saúde mental do Sistema Único de Saúde (SUS). “Aos novos alunos e aos antigos, nossa Escola estará sempre aberta para as parcerias, principalmente quando temos importantes desafios no campo da saúde mental. Parabenizo cada um dia vocês pela atuação e contem com a Escola nesse processo”, disse.

Provocações

Gilberto de Melo, referência da Superintendência Regional de Saúde de Patos de Minas e aluno da Escola, aponta que os aprendizados proporcionados são provocantes. “Já fiz dois cursos na ESP-MG e a metodologia das aulas nos provocam uma nova realidade em nossa atuação profissional. Já a palestra de hoje nos mostra a afronta que é a portaria 3588”, diz.

Adriana Mujica, psicóloga no município de Itaúna, sanitarista pela ESP-MG, reconhece os retrocessos das políticas públicas no país o que fragiliza o SUS. “Ações como essas hoje são importantes para os trabalhadores se inteirarem dos desafios, da militância, de acreditar em nosso próprio trabalho e acima de tudo, resistir”, afirmou.

18 de maio

No Brasil, o Dia Nacional da Luta Antimanicomial foi instaurado em 18 de maio de 1987 na cidade de Bauru/SP, durante o Congresso de Trabalhadores de Serviços de Saúde Mental. Nesta data, foi proposta uma nova trajetória para a Reforma Psiquiátrica Brasileira, questionando as relações de estigma e exclusão social e cultural impostas às pessoas que vivem e convivem com os ditos “transtornos mentais”.

A atividade, que teve também a apresentação do Bloco Tamborins Tantãs, contou com a presença dos alunos da Escola, convidados, estudantes de graduação, do vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde (CES-MG), Ederson Alves da Silva, Lourdes Machado, presidente do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais (Psind-MG) e trabalhadores do Hospital Metropolitana Doutor Célio de Castro.
A exposição "18 de Maio: Caminhos possíveis para a liberdade" pode ser visitada nos corredores da Unidade Sede da Escola até o dia 30 de maio deste ano.

* Marco Cavallo foi o grande Cavalo Azul que no ano de 1973 rompeu os muros do manicômio de Trieste, na Itália, carregando para as ruas da cidade os sonhos, a esperança e o desejo de liberdade dos internos daquela instituição.

Como símbolo de liberdade, o Cavalo Azul foi reinventado em 2018, pelo coletivo do Centro de Convivência São Paulo, em comemoração aos 25 anos de funcionamento do serviço. O novo Marco foi levado a desfilar pela cidade de Belo Horizonte no “18 de Maio - Dia Nacional de Luta Antimanicomial”.

Confeccionado em madeira, a escultura traz em seu corpo as lembranças e os afetos que, ao longo dos anos, foram se formando no cotidiano do Centro de Convivência. Agora, o Cavalo Azul leva bordados, desenhos, origamis, pinturas, fotos, música e artesanatos – registros sensíveis de um fazer diário antimanicomial, pautado no respeito e na liberdade.

Concepção: Wesllen Neiva
Execução: Adriane Rodrigues, José Miranda e Wesllen Neiva
Acabamento: Coletivo do Centro de Conivência São Paulo