Durante esta semana, até meados de julho, a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), está realizando as bancas avaliadoras dos trabalhos de conclusão de curso da Especialização em Saúde Pública. A banca desta sexta-feira (08), da aluna Eliane Francisca Lima, teve como tema "Um olhar sobre o projeto Plástico Reciclado = Pão Garantido, uma experiência do Município de Várzea da Palma/MG, no controle do vetor Aedes aegypti”. 

O tema pertinente, logo após celebrarmos a Semana Nacional do Meio Ambiente, busca a conscientização da população sobre a preservação ambiental, é um importante projeto de iniciativa socioambiental que agora está registrado na história do tradicional curso da Escola.

A aluna Eliane (branco) e sua torcida logo após a banca

A aluna, coordenadora da Vigilância em Saúde do município localizado no Norte de Minas, diz que a iniciativa do projeto é a redução e eliminação dos potenciais criadores do vetor do mosquito. "As pessoas recolhem os recipientes plásticos e levam nas unidades de saúde do município onde são pesados. Elas recebem um ticket no valor de um real, que equivale a um quilo dos recipientes. As padarias credenciadas do município fazem a troca do ticket por alimentos, e os donos das padarias entregam esses tickets ao projeto, que deposita o dinheiro para os comerciantes", explica.

A nova sanitarista destaca ainda o importante papel da ESP-MG no desenvolvimento do projeto. "As aulas foram de fundamental importância. Desde que eu iniciei o curso já havia pensado em desenvolver um relato, por ser um projeto muito especial que envolve a população", comemora.

Saúde e Meio Ambiente

A pesquisadora da ESP-MG, Ana Flávia Fonseca, e orientadora desse trabalho, pontua a mudança na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre a correlação entre saúde e ambiente, e os benefícios de trabalhos como o apresentado. "Esse trabalho é muito pertinente, pois além da dengue ainda previne outras contaminações ambientais que afetam diretamente os seres humanos. A essência dessa discussão é o ambiente, e nós somos a mesma coisa. Essa ideia está se fortalecendo no mundo e no SUS não está sendo diferente", diz.

A pesquisadora acredita que os campos da saúde pública e coletiva necessitam de ações efetivas para prevenção de contaminações ambientais, e não apenas a vigilância na redução destes impactos. "A nossa saúde depende do ambiente que estamos, porque é do ambiente que tiramos tudo o que precisamos para viver. Precisamos ver a natureza não como fonte de adoecimento, mas como fonte de vida e de saúde”, enfatiza.

O projeto

Também presente na banca de avaliação do trabalho, a criadora do projeto, Margarete Rabelo, comemora os benefícios conquistados pelo projeto para conscientização dos cidadãos de Várzea da Palma. "O projeto trouxe um retorno social muito grande, uma sustentabilidade muito bacana ao município. O valor do ticket passou de R$0,75 para R$1. Isso mostra um aumento significativo e a boa aceitação e integração do projeto pelo município e pela população, afirma.

A aluna com sua orientadora e avaliadoras 

Tradição e referência

A Especialização em Saúde Pública é o curso mais tradicional da Escola, realizado desde 1947, um ano após a criação da instituição. Os alunos, futuros sanitaristas, desenvolvem trabalhos ao final do curso que são intervenções no âmbito de sua atuação profissional e baseiam os estudos em análise crítica e contextualizada das situações que afetam o cotidiano profissional.

Por Ayrá Sol Soares (Estagiária de Jornalismo - ASCOM/ESP-MG)