A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) realizou na quinta-feira (18), a aula inaugural da terceira turma da Especialização em Comunicação e Saúde. Com o tema “Comunicação e Democracia: Impasses e Desafios”, a aula abordou a importância da comunicação nos processos democráticos e a influência na criação e fiscalização de políticas públicas.

Rayza Sarmento, Doutora em Ciência Política e Professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), apontou a comunicação e a participação popular, seja através de conselhos ou conferências, como atos fundamentais nas políticas públicas, com destaque para área da saúde. “Quando eu posso me manifestar e dizer se uma política pública me atende e a minha região estamos falando de um processo comunicativo extremamente político”, afirma.

Ela ainda acrescentou a importância do diálogo entre o estado e a população, com o recorte no Sistema Único de Saúde (SUS). “Pensando um exemplo do trabalho que orientei da ex-aluna aqui da Escola, Camilla Luz, temos a humanização do parto. Como podemos pensar outras narrativas sobre um momento tão importante como o parto a partir de processos comunicativos de ouvir usuários do SUS que tiveram experiências ruins com hospitalização do nascimento e do parto, e os que experimentaram outras formas de nascer”, finaliza.

Para o coordenador do curso, Jean Alves, a chegada de novos alunos de diferentes municípios para especialização é motivo de felicidade. “Fico muito feliz de iniciar mais uma turma da especialização. Somos uma das poucas instituições no país com atuação efetiva no campo da comunicação e saúde e, num momento de instabilidades das políticas públicas de saúde, é estimulante receber novos alunos, de várias cidades do estado, de múltiplas formações para debater e problematizar questões teóricas, políticas e práticas tão importantes, de um SUS que é tão necessário para a sociedade”, afirmou.

Um novo olhar para usuário do SUS

Cláudia Furtado, psicóloga da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) e aluna da especialização, conta sobre sua perspectiva e maior clareza sobre o atual cenário político após os conceitos trabalhados na palestra. “A aula foi interessante, pois trouxe dentro desse contexto peculiar que estamos vivendo, de um discurso antidemocrático, uma realidade mais palpável para nós entendermos o que de fato está acontecendo e os efeitos disso na saúde. Estamos vivendo um processo tão diferente, novo e desconhecido, que tem trazido impacto na saúde das pessoas, de um adoecimento não só pensando no SUS, mas na saúde mental das pessoas”, aponta.

Também aluna do curso e jornalista da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), Alexandra Marques, enfatiza a importância dos comunicólogos na construção das narrativas humanizadas sobre os usuários da saúde pública. “O usuário do SUS tem que ser visto sobre um outro viés por nós jornalistas na comunicação das instituições de saúde. Trabalhar a questão do direito vai ser muito bacana para nós pensarmos no usuário como um sujeito de direito e onde inserir nos meios de comunicação social institucionais a voz e demandas desse indivíduo”, destaca.

A terceira turma da especialização conta com 41 alunos dos municípios de Belo Horizonte, Curvelo, Jaboticatubas, Sete Lagoas, Ouro Preto, Oliveira, Palmeiras, Sacramento, Teófilo Otoni, Santa Rita de Ibitipoca, Betim, Sabará, Antônio Carlos e Cláudio.

Por Ayrá Sol Soares (Estagiária de Jornalismo - ASCOM/ESP-MG)