A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) realizou na última sexta-feira (23), aula aberta com o tema "Anemia Falciforme: desafios e perspectivas para os serviços de saúde". A atividade, iniciativa da coordenação do Curso de Especialização em Saúde Pública, marcou a Semana da Consciência Negra, abordando a pauta racial no campo da saúde e os desafios para ampliar o acesso da população negra no Sistema Único de Saúde (SUS).

A aula contou com a presença da presidente da Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais (Dreminas), Maria Zenó Soares, que também é membra do Comitê Técnico de Saúde Integral da População Negra da Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

A palestrante abordou as dificuldades para o tratamento da doença e como o racismo afeta no atendimento e promoção de políticas públicas voltadas para população negra, conceituando o racismo estrutural, vulnerabilidade e iniquidade. “Eu não sou uma doença, eu sou uma pessoa, um sujeito de direitos”. Se você pergunta para uma pessoa da saúde, se ele trata uma pessoa negra diferente, ele vai falar que não tratou. Mas quando você pega o dado do Ministério da Saúde que releva que a mulher negra toma menos anestesia na hora do parto do que a mulher branca, isso é o que?”, questiona.

Zenó pontuou a importância dos profissionais do SUS entenderem o contexto do usuário, desde o histórico familiar, ambiente que vive, e se qualificarem para o atendimento. Além disso, ela pontuou a necessidade da participação social para que haja mudanças eficientes nas políticas públicas e que assegurem o direito do usuário do SUS. “Participação popular não se faz só, é muito importante que as pessoas da área da saúde e qualquer outra área somem conosco. Nós só conseguimos esses avanços porque tivemos pessoas, principalmente médicos e hematologistas, que compraram essa causa”, explicou.

Um Novo Olhar para Saúde

Raquel Castro, Enfermeira na Vigilância em Saúde de Catas Altas e aluna do curso de Saúde Pública, conta que o que mais agregou na aula foi a questão do racismo. “Temos conhecimento, mas ainda é muito superficial. Estamos despreparados para receber esses usuários. Aulas como essa nos tira de nosso lugar de conforto da gente”, diz.

A estudante do curso de Comunicação e Saúde, Cibele Lima, destaca a relevância do lugar de fala da palestrante para entender a dimensão do impacto social da doença. “Eu vou ser muito sincera, a doença da anemia falciforme era um pouco desconhecida para mim. Quando se fala desse lugar de fala e temos a oportunidade de ter alguém que é militante, que trabalha na saúde e tem a doença, nós começamos a perceber quais são os impactos sociais que esse tipo de doença causa na população. A perspectiva foi muito boa, penso que muda o olhar das pessoas de fora, e acaba promovendo transformação social, perceber outro viés de como a saúde tem que ser tratada”, finaliza.

A doença

A Anemia Falciforme é uma doença caracterizada pela alteração no formato da hemácia devido à mutação em uma das cadeias constituintes da hemoglobina, havendo diminuição da capacidade de ligação ao oxigênio e possível obstrução dos vasos sanguíneos devido ao formato alterado, o que pode levar a dor generalizada, fraqueza e apatia.

O diagnóstico da anemia falciforme é feito em recém-nascido por meio do teste do pezinho, sendo mais comum na população negra.

Saiba mais sobre a doença no site da Fundação Hemominas

Por Ayrá Sol Soares (Estagiária de Jornalismo - ASCOM/ESP-MG)