Na última sexta-feira (14), a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), lançou a cartilha "Mulheres, Agroecologia e as Lutas por Saúde: 30 anos do SUS, 20 anos do Setor de Saúde do MST-MG". O lançamento foi realizado durante o II Festival Estadual de Arte e Cultura da Reforma Agrária, em Belo Horizonte (MG).

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A publicação é uma parceria com o Setor de Saúde do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Minas Gerais, fruto da ação educacional “Oficinas de Vigilância e Promoção à Saúde em Áreas de Reforma Agrária”, realizadas no ano passado pela instituição, com a colaboração da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

O lançamento contou com a presença das docentes e trabalhadoras da Escola, Alessandra Faria, Ana Flávia Fonseca e Juliana Santos, que organizaram e contribuíram com a cartilha e a ação educacional das oficinas.

Vários saberes

Isabel Aparecida dos Santos, que vive há quatro anos no Acampamento Dandara (Região da Pampulha em Belo Horizonte) e atua no Núcleo de Saúde do MST acredita que a o curso em parceria com a Escola foi importante, já que antes ela achava que seu trabalho era sem importância. “Eu vivia sozinha na roça, não dava muita importância. Aqui aprendi muita coisa. A dar valor e reconhecer o ser humano, aprendi a fazer massagens, xaropes para as minhas crianças, plantar minhas ervas medicinais. Aprendi a valorizar mais a natureza, porque hoje em dia eu vivo mais na natureza e não mais no mercado”, disse.

Ana Flávia Fonseca, Alessandra Faria e Juliana Santos, da ESP-MG

Tereza Sabino, assentada do MST há 23 anos em Governador Valadares (Vale do Rio Doce), destaca que o trabalho com a ESP-MG reforça a aliança camponesa com a cidade. “Trazemos os conhecimentos populares e tradicionais para que virem conhecimento científico, fortaleça o nosso conhecimento, a nossa concepção de ideologia de classe trabalhadora e da própria saúde”, diz.

Ela destaca também a Agroecologia e do Feminismo e a relação com o projeto de saúde do Movimento. “Trabalhos no curso e na cartilha muitos elementos, como o fortalecimento da identidade enquanto “sem terra”, enquanto mulher e nossa relação com a natureza. Fazemos a costura entre o conhecimento científico, o popular e tradicional”, afirma.

A cartilha

Escrita a várias mãos, a cartilha mostra o protagonismo das mulheres nas lutas pelo direito à terra, à saúde e a um ambiente saudável para os povos do campo e pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de ser um importante registro com temas como agrotóxicos, saúde ambiental e do trabalhador, agroecologia, saneamento e Educação Popular em Saúde.

Por Sílvia Amâncio (ASCOM/ESP-MG)