Na última sexta-feira, dia 30 de agosto, a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) concluiu a primeira turma do Curso de Qualificação em Saúde dos Trabalhadores do Sistema Prisional. A cerimônia, realizada no auditório da instituição, reuniu alunos, docentes, convidados e trabalhadores.

Além das solenidades de conclusão do curso, a atividade contou com seminário “Saúde no Território Unidade Prisional: desafios e perspectivas”, conduzido pelos convidados Paula Bevilacqua, pesquisadora da Fiocruz/Instituto René Rachou, e José Luiz Ratton, Pesquisador e Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas de Segurança da UFPE. 
 
Paula apresentou dados da sua pesquisa sobre Violência Contra a Mulher, e como estes fatores se relacionam com o Sistema Prisional. Como resultados, mostrou dados sobre a mortalidade em mulheres e feminicídio, aponta ainda, que os casos são mais recorrentes na população negra. “A saúde tem um papel específico no processo de enfrentamento a estes tipos de violência: a prevenção. Não devemos participar apenas dos tratamentos pós violência”, conclui.
 
Ratton abordou o tema baseado numa perspectiva sociológica, compartilhando sobre suas experiências como pesquisador das populações privadas de liberdades no agreste do estado de Pernambuco. “Para entendermos a prisão, é preciso fazer pesquisa. Na opinião popular, esse espaço é mal visto, cheio de estigmas e estereótipos. Mas nós, como profissionais da saúde prisional precisamos ir além disso e compreender todo o impacto e contexto inerentes às unidades prisionais, que afetam trabalhadores, famílias  e todo território onde há situação de cárcere”, afirmou.
 
O Curso
 
Oferecido pela ESP-MG, o curso é fruto da cooperação técnica entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) e a Escola de Saúde, com o objetivo de promover o debate acerca da Saúde, Violência e Pessoas Privadas de Liberdade. Ao todo, foram 42 alunos concluintes de três unidades: Centro de Apoio Médico Pericial – Ribeirão das Neves; Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz – Barbacena; e Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade – Vespasiano.
 
A diretora-geral da ESP-MG, Lenira Maia, parabenizou os formandos, trabalhadores e coordenação do curso. Destacou o pioneirismo da formação no Estado e o trabalho da Superintendência de Promoção, Cuidado e Vigilância em Saúde da ESP-MG (SPCVS), responsável pela realização da qualificação. A diretora-geral comemora a parceria de sucesso com a SEJUSP: “Esperamos que haja muitas outras formações conjuntas, pois acreditamos que precisamos muito discutir estas temáticas”, enfatiza.
 
 

A diretora de atenção ao servidor da SEJUSP, Vilene de Magalhães, ressalta que os aprendizados contribuirão para o atendimento humanizado em saúde e em consonância com padrões mundiais: “Os servidores serão capazes de desenvolver e aprimorar habilidades e competências para o trabalho com detentos com necessidades especiais, sofrimento mental e gestantes. Além disso, para que possamos garantir os preceitos estabelecidos pela ONU para o tratamento das pessoas privadas de liberdade”, afirma.

Anísia Chaves, Coordenadora do curso e trabalhadora da ESP-MG, diz que o sentimento final é de gratidão a todos que contribuíram com a ação: “Esse trabalho foi gratificante devido as muitas parcerias que fizemos, o que acarretou em diálogos constantes sobre o tema”, disse.

Para o aluno Eduardo Amorim, diretor-geral do Centro de Apoio Médico Pericial de Ribeirão das Neves, os temas abordados no curso devem ser constantemente debatidos: “Desejo que esta cooperação técnica se prolongue por muito tempo para que mais profissionais do sistema prisional possam se aperfeiçoar”, disse.

A aluna Rayane Lima, trabalhadora da administração do Centro de Referência à Gestante Privada de Liberdade, afirma que os conhecimentos adquiridos contribuirão para o desempenho de suas atividades: “Vai ser muito importante para mim, pois estou em contato direto com gestantes dentro do presídio. Um dos módulos do curso foi justamente sobre a saúde das gestantes no sistema prisional, o que agregou muito aos meus métodos de trabalho”, afirma.

A segunda turma do Curso foi iniciada no último dia 13 de agosto. Conta com trabalhadores de saúde, segurança e administração de unidades prisionais que realizam atendimento médico pericial.

 
 

Por Gabriel Cruz, Estagiário ASCOM/ESP-MG sob supervisão.