Nessa quarta-feira, 07/10, a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Diretoria de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas promoveu o terceiro, de uma série de outros dois webinários sobre saúde mental. Neste webinário o tema foi: "A participação dos usuários na produção do Cuidado".

O encontro foi mediado pela psicóloga e trabalhadora da ESP-MG, Alessandra Rios de Faria e contou com participação de representantes dos usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do estado: Bento Márcio da Silva, usuário da rede e morador de residência terapêutica em Barbacena; Laura Fusaro Camey, vice-presidente da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental (Asussam) e Marcelle Lopes de Araújo, ouvidora e participante do grupo "Ouvi falar", de São João Del Rey.

Ao longo deste semestre ocorreu uma série com três webinários, dentro da temática: "Saberes e Práticas nas RAPS de Minas: A sustentação do cuidado em liberdade". Os webinários foram divididos em três encontros, cada um sempre nas primeiras quartas-feiras do mês, às 15h. O primeiro, que foi em agosto debateu a Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde: práticas para a sustentação do Cuidado e o segundo, que ocorreu em setembro debateu a Atenção na RAPS: Cuidado na crise, Cuidado na vida.

Cuidado em liberdade
Bento Márcio da Silva, relatou sobre sua vivência enquanto usuário da RAPS. Ele contou que seu primeiro acesso à rede de saúde mental, foi em 1984 e que viveu um momento em que o tratamento era, ainda, muito centrado na medicação e na pouca escuta do paciente. Bento relembrou que foi uma época muito sofrida para ele e que embora informasse aos profissionais que os medicamentos não faziam bem a ele, ele não era escutado. Mas, hoje em dia, Bento diz que é bem diferente, que é escutado e sente liberdade morando na residência terapêutica. "Aqui na residência eu tenho voz, eles me escutam. Aqui me possibilitou ir a muitos lugares e conhecer muitas pessoas também. Aqui sinto que tenho liberdade", completou.

Marcelle Lopes de Araújo, ouvidora e participante do grupo "Ouvi falar", de São João Del Rey, lembrou que foi na adolescência, que procurou pela primeira vez os serviços de saúde mental. Ela ressalta que hoje em dia tem autonomia e liberdade para viver sua vida e pontua que o autocuidado também é muito importante para a saúde mental. "Eu moro sozinha, me cuido, eu busco uma qualidade de vida para mim e para quem está em meu redor. Acho que isso faz a diferença, o cuidado, o carinho. Se você não se cuidar, ninguém irá fazer isso por você", enfatiza.

Laura Fusaro Camey, vice-presidente da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental (Asussam), pontuou que todo tratamento em liberdade, demanda a circulação da pessoa pela cidade e o entendimento do próprio usuário que o acesso à saúde é um direito. Ela ressalta que muitas vezes os usuários, em razão de desconhecimento, não conseguem acessar a todos os serviços públicos e isso pode afetar na qualidade de vida do paciente. Ela questiona que "como falar de protagonismo, se o usuário não tem acesso às informações do serviço de saúde, de seu próprio tratamento. Quem responde ao tratamento é o corpo da pessoa. Então é essencial escutar o paciente, ouvir o que ele tem para dizer de seu próprio tratamento, garantir que a informação chegue a essa pessoa, enfim é a participação do usuário no cuidado", completou.

Quer ter acesso a essa conversa na íntegra? Clique aqui e assista ao Webinário, disponível no Canal da ESP-MG no Youtube. Para assistir ao primeiro webinário, que ocorreu em agosto, clique aqui. Para o segundo, transmitido em setembro, clique aqui.

Por Vívian Campos