Na manhã da última sexta-feira, dia 28 de junho, a Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) realizou um Seminário em comemoração ao aniversário de 73 anos de sua fundação. O evento, realizado no auditório da instituição, teve como tema “Futuro do Trabalho no SUS: Desafios para Formação” e contou com a participação de alunos, egressos, servidores, autoridades, docentes e profissionais da Educação e Saúde Pública.
Após apresentação institucional da ESP-MG, seus números e conquistas históricas na formação profissional em saúde, a Diretora-geral da instituição, Lenira de Araújo Maia, fez a abertura oficial do evento e, agradecendo, acolheu os presentes. Falou da importância deste centro formador para o Sistema Único de Saúde: "Comemorar estes 73 anos de existência da escola como órgão autônomo da administração direta é para gente algo muito importante. Demonstra importância deste centro formador para o Sistema Único de Saúde. Principalmente se considerarmos nossos trabalhadores. Uma instituição é feita de pessoas, e contamos com elas”, disse.
Agradeceu aos trabalhadores, enfatizou a importância das equipes para a gestão do trabalho e apontou metas e desafios da instituição:
"Quero agradecer aos trabalhadores da ESP, que me ensinam todo dia a ser e fazer melhor, e trazem um grande desafio: lidar com a diversidade de pessoas, com ideias muito fortes e que desejam que esta escola seja cada vez melhor. Tenho a dizer que só aprendo aqui. Não é fácil, enfrentamos dificuldades, mas também há muita alegria e satisfação. Estamos trabalhando para aumentar o número de alunos, melhorar a qualidade do nosso trabalho e fazer mais com menos, pois sabemos das dificuldades financeiras dos últimos anos. Temos tentado fazer isso da melhor forma possível.  Vida longa a ESP-MG!”, comemorou.
 
A Deputada Estadual Beatriz Cerqueira, Presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa da Minas Gerais, esteve presente e parabenizou a Instituição, seus trabalhadores e alunos. Ratificou a importância da formação para os Profissionais da Saúde e defendeu o fortalecimento e ampliação da atuação da ESP-MG no Estado. 
 
Para conduzir a discussão temática do seminário foram convidados: Rafael Maia, Subsecretario de Inovação e Logística da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais; e Marina Peduzzi Professora Associada do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da USP.
 
Em sua fala, Marina Peduzzi, destacou a construção social do trabalho em saúde:
“A função do profissional de saúde é lidar com pessoas. A organização das práticas sociais de saúde não é só técnica, ela vai se constituindo num movimento com a sociedade a partir de determinadas concepções, representações, necessidades, pactos, prioridades, lutas e interesses divergentes. Tudo isso num país tão desigual como o nosso. A saúde das pessoas está relacionada com as condições de vida e de trabalho. Devemos buscar e seguir esse modelo, de atenção à saúde, não levando em conta apenas o lado biomédico”, disse.
 
Falou também sobre os desafios para o trabalho e formação no SUS: “Devemos levar em conta a dimensão da interação e comunicação; controle social; incorporação tecnológica, o fortalecimento da Atenção Primária e das Redes de Atenção. Para a formação ficam alguns desafios:  formar para a integralidade do cuidado, descentralizar os polos formadores, investir em cursos de nível técnico, consolidar metodologias ativas, tecnologias da informação, educação Interprofissional e ampliar os cenários de prática”, enfatizou.
 
O subsecretario, Rafael Maia, falou sobre a evolução do trabalho na sociedade e no SUS e deu ênfase às necessidades de entender as novas demandas da população e a diversidade dos profissionais do sistema de saúde: “Na gestão da diversidade nas organizações de saúde, temos que trabalhar o respeito. Devemos ter a compreensão de que cada um tem necessidades e estas especificidades devem ser atendidas, dentro do possível. Apesar da desconstrução de modelos de trabalho, como o Fordismo, a estrutura do trabalho industrial foi absorvida por boa parte das pessoas, que buscam bater metas e alcançar resultados cada vez melhores, isso acontece também no trabalho nas Secretarias de Saúde, por exemplo. E é bom por um lado, pode trazer realização, mas também traz adoecimento, nos colocando um grande desafio que é o cuidado em saúde mental no trabalho”, disse.
Ao final das palestras foi realizado um debate com ampla participação dos presentes e discussões acerca do trabalho e formação: plano de carreira para o SUS, Educação Permanente em Saúde, terceirização e precarização do trabalho, educação interprofissional, relação público-privado, falta de profissionais médicos em muitos territórios, formação descentralizada e outros.
 
A Escola de Saúde Pública
 
A ESP-MG foi a primeira Escola de Saúde Pública, em nível estadual, do país, inaugurada em 1946. Nestes 73 anos, mais de 300 mil alunos foram qualificados em mais de 700 ações educacionais: cursos livres, técnicos e pós-graduação lato sensu, em todo estado de Minas Gerais. Além de pioneira, a instituição é protagonista na formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde – SUS, e teve papel importante na reforma sanitária que culminou em sua criação em 1988.

Nos seis primeiros meses de 2019, cerca de 2 mil alunos ingressaram na ESP-MG e a gestão pretende ampliar consideravelmente este número até final do ano. Além do Seminário no dia 28, outros eventos marcam a comemoração de 73 anos da instituição. No próximo dia 04, um Cine Debate sobre Saúde, Ambiente e Mineração encerra a programação de aniversário. Participe!

Por Jean Alves - ASCOM/ESP