ESP-MG e FJP lançam biografia coletiva sobre vida e saúde de mulheres trans e travestis
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Com o objetivo institucional de promover a equidade, a memória social, a dignidade e o direito à saúde e à vida, a Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG) e a Fundação João Pinheiro (FJP) lançaram, na segunda-feira, 23 de fevereiro, em Belo Horizonte, o terceiro volume da coleção Sempre-Vivas.
A série Sempre-Vivas é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Estado, Gênero e Diversidade (Egedi), da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro, e tem como propósito publicar, a cada edição, uma biografia coletiva de grupos de mulheres de Minas Gerais historicamente invisibilizadas e segregadas.
Esta terceira edição, intitulada “Ela/Dela: vida e saúde de mulheres trans e travestis de Minas Gerais”, propõe dar visibilidade às memórias e reconhecer as trajetórias de mulheres trans e travestis do estado. A obra é fruto da parceria entre a ESP-MG e a FJP, com apoio da Prefeitura de Belo Horizonte e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapemig).
O volume reúne três produtos: a biografia coletiva Ela/Dela: vida e saúde de mulheres trans e travestis de Minas Gerais; o Dicionário de gênero, corpo e sexualidade de A a Z; e o documentário “Semana que vem eu vou: vida e saúde de mulheres trans e travestis”.
O livro é organizado por Cláudia Beatriz Machado Monteiro de Lima Nicácio e Maria José Nogueira, trabalhadora da ESP-MG e uma das coordenadoras do projeto, e a publicação está disponível aqui.

Créditos da foto: Karen Bezerra- Ascom/ ESP-MG
Para a diretora da ESP-MG, Mara Guarino Tanure, iniciativas como esta “expressam aquilo que está no centro da nossa missão: produzir conhecimentos que tenham aplicação real no sistema de saúde e que contribuam para qualificar o cuidado à população”. Ela destaca, ainda, que a obra dá visibilidade à importante pauta da saúde de mulheres transexuais e travestis, lembrando que o conceito ampliado de saúde vai além da ausência de doenças e considera bem-estar físico, mental e social.
Tanure reforçou a importância das parcerias institucionais, como a cooperação com a Fundação João Pinheiro e o apoio da Fapemig e da Prefeitura de Belo Horizonte, que ampliam a capacidade de pesquisa, reflexão e transformação da realidade.
A vice-presidente da Fundação João Pinheiro, Mônica Moreira Esteves Bernardi, destacou que a série Sempre-Vivas expressa um compromisso institucional voltado para o interesse público e para o diálogo concreto com a sociedade. “A série vem se dedicando a tornar visíveis histórias e trajetórias que muitas vezes permanecem à margem das narrativas oficiais,” explicou.
Mônica Bernardi comentou que o livro não segue um formato acadêmico tradicional, pois buscou adotar uma linguagem acessível, valorizando as experiências de vida, o cotidiano, a memória e a palavra das mulheres trans e travestis, reconhecendo-as como sujeitas de suas próprias histórias.
- Créditos das fotos: Karen Bezerra- Ascom/ ESP-MG
As biografias presentes na obra são escritas em primeira pessoa. Assim, as biografadas são as autoras principais, enquanto as pesquisadoras e pesquisadores que participaram do projeto e realizaram as entrevistas atuam como coautoras e coautores. Ou seja, os textos foram escritos com elas, e não sobre elas ou para elas.
Para Luisa Resende, trabalhadora da ESP-MG e pesquisadora do projeto, “quando mulheres trans escrevem, elas não apenas narram suas histórias: elas ressignificam o mundo. Nesse sentido, a escrita de mulheres trans é também uma forma de cuidado coletivo”.
Uma das autoras e biografadas, Lorena Paiva, destaca que as pessoas ainda carregam preconceitos e visões marginalizadas sobre mulheres trans e travestis. “Nós somos mulheres comuns; temos família, nossas jornadas, alegrias e tristezas. Acredito que este livro vai trazer melhor visibilidade para nós e para nossas resistências. Também precisamos de um acesso melhor à saúde; as pessoas precisam estar mais preparadas para nos atender”, afirmou.
Além de Lorena Maria de Paiva, também são autoras e biografadas: Sayonara Nogueira, Juhlia Santos, Yascarah Dutra, Ale Gonçalves, Natália Cysne, Paola Terra, Duda Salabert, Lua Zanella, Estefane Souza, Letícia Imperatriz e Ashley Ribeiro.

Créditos da foto: Karen Bezerra- Ascom/ ESP-MG
A Série Sempre-Vivas
A Série Sempre-Vivas é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Estado, Gênero e Diversidade (Egedi), da Fundação João Pinheiro, que tem como objetivo publicar, a cada número, uma biografia coletiva de um grupo de mulheres de Minas Gerais. A proposta é construir coletivamente narrativas de grupos historicamente esquecidos ou segregados, registrando suas vidas, sonhos, lutas e conquistas. A série não pretende retratar heroínas ou vítimas, mas mulheres reais, que podem ser ambas – e muito mais. Narrar essas histórias é fundamental para que não caiam no esquecimento.
O primeiro volume, “Mulheres do campo de Minas Gerais: trajetórias de vida, de luta e de trabalho com a terra”, foi lançado em 2017.
Em 2021, foi publicado o segundo volume: “Mulheres negras e gestoras: porque sim!”
Já o terceiro número, “Ela/Dela: vida e saúde de mulheres trans e travestis de Minas Gerais”, lançado em 2025, reúne a biografia coletiva, o dicionário A a Z e um curta-metragem sobre vivências de mulheres trans. Juntos, os três produtos oferecem uma experiência rica e diversificada sobre a transvestilidade e, especialmente, sobre a transfeminilidade.
A escolha dos termos “mulheres trans” e “travestis” no título reflete a diversidade de vivências e desafios enfrentados por essas mulheres, bem como o respeito às formas como cada uma se identifica. Compreender a complexidade desses e de outros termos é mais que um aprendizado: é uma prática de respeito e empatia diante de temas sensíveis e essenciais das questões de gênero e sexualidade.
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